Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar, ou: a esquerda deve se unir?

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Muita gente de boa-fé acha incompreensível, ilógica e até mesmo imoral a permanente desunião da esquerda. Fica indignada e põe na conta da esquerda a culpa pelo fato do Estado burguês estar sempre nas mãos da burguesia; o que indica que esperam alguma mudança na condução dos descaminhos da “res publica” por meio da política, para além da mera troca de seus vampiros.

Acontece que “a esquerda”, pra começar pelo óbvio, é um balaio enorme dos mais diversos grupos, entendimentos e interesses.

Além disso, mesmo que um interesse (supostamente) comum una todos eles – a superação da sociabilidade estranhada do capital -, tais grupos estão sujeitos a todo tipo de pressões, vindas não apenas do lado dos trabalhadores (aqueles que a esquerda representa ou deveria representar, e que ainda assim estão igualmente dispersos numa variedade de interesses ou sub-interesses por vezes contraditórios e noções confusas), mas também da pequena burguesia e da burguesia, interessadas em cooptá-los e/ou desqualificá-los, quando não esmagá-los.

Daí que muitos na esquerda enxergam na adesão aos aparatos, à burocracia, aos joguetes políticos, ao financiamento pela burguesia, etc e etc. uma possibilidade de atingir aquilo que seria o objetivo principal, enquanto outros percebem que a cooptação é o caminho do “empoderamento” na completa perdição.

Além disso, mesmo uma frente de esquerda inevitavelmente se constitui a partir de uma disputa política entre seus componentes.

Se essa frente contar com o PT, de longe o partido mais forte, inevitavelmente ela gravitará ao redor de seus objetivos. Não será uma frente de esquerda, mas uma frente petista.

Frente a tudo isso, “a esquerda” não tem como ou porque se unir. E, aliás, nem deve; exceto, as circunstâncias hão de saber, num contexto revolucionário, de ampla crise da sociabilidade – quando a ilusão da “política de esquerda” institucional, do “poder político popular”, há de se desfazer junto do próprio jogo político.

Ainda assim, muitos irão se agarrar aos destroços e servir à contra-revolução, possivelmente a maioria dos que se apresentam hoje como “de esquerda”. Mas não é preciso esperar uma situação dessas para ver as máscaras caírem. Muitas destas já são frouxas o suficiente para mostrar a todos quem é quem.

Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar…

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nem direita nem esquerda
pra frente, Brazew!
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