O anti-humanismo da crítica ao “Especismo”

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O veganismo diz que comer carne é especismo.
 
Trata-se, com o perdão do trocadilho, de uma espécie de antropocentrismo.
 
Os veganos criticam aqueles a quem chamam de especistas por estes julgarem ser o homem superior às outras espécies, a ponto de pretender tomar e realizar decisões que as envolvam, etc.
 
Especismo é isso: se afirmar enquanto pertencente a uma espécie superior. E isso vale tanto para quem come carne quanto para quem tem um gato pra alimentar.
 
Donde o vegano idealizar um mundo humano totalmente afastado e isolado dos animais. Hein?
 
O pequeno detalhe que parece escapar (na melhor das hipóteses) aos veganos é que, ao se colocarem em defesa dos animais, estão se colocando como superiores a eles (e a quem não for vegano, claro). Pois os bichos carecem de um representante e defensor da causa animal, e este é o vegano, imbuído das tarefas que foram delegadas a ele por ele mesmo, já que animais não são capazes de outorgar tal autoridade.
 
A bem da verdade, o veganismo luta contra uma evidência tão luminosa que os próprios animais conseguem percebê-la, com exceção dos gatos. Os cães que o digam…
 

Portanto, a crítica ao especismo não é crítica, é apenas uma confissão de pequenez que o indivíduo vegano projeta sobre os outros – e não é outra coisa que leva um Schopenhauer a destilar seu desprezo à própria humanidade. Mas, se veganos e filósofos irracionalistas não são ou não se sentem superiores a uma barata, por que afinal crêem que os outros devam concordar com isso? Que vão plantar batatas.

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vegan iludido edt
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13 comentários sobre “O anti-humanismo da crítica ao “Especismo”

  1. A conduta ética pressupõe assimetria, ou seja, mesmo que o mundo todo esteja agindo de determinada forma eu escolho agir de outra. O contrário disso é ação/reação, lei de Talião, a anti-ética. A escolha ética é autônoma (auto: próprio; nomos: regras), um estágio superior ao da anomia (ausência de regras) e da heteronomia (seguir regras feitas por outros, como uma criança que não sabe que não pode comer as próprias fezes).

    O veganismo é então uma conduta ética por princípio e não positivista, que se apóia no especismo para se justificar. Visto dessa forma assimétrica se afasta também do discurso ideológico do individualismo, para o qual se cada um fizer sua parte poderia-se resolver um problema maior, pois não espera uma contrapartida.

    Ao criticar o individualismo (com o que me solidarizo) vc escolheu como pano de fundo o veganismo. O texto começa com a frase “O veganismo diz que comer carne é especismo”. Pois bem, não é.

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    1. Obrigado pelo comentário, Pedro.

      Observe o segte.: não estou criticando o individualismo.

      Vamos esclarecer uma coisinha aqui.

      Vc concorda que o “especismo” é uma afirmação de superioridade de uma espécie frente a outra ou outras?

      Concorda que o veganismo critica aqueles que julgam ser o homem superior às outras espécies, a ponto de pretender tomar e realizar decisões que as envolvam?

      Ou seja, concorda que o veganismo se apóia na crítica ao especismo? Ou vc realmente quis dizer que “o veganismo é uma conduta ética que se apóia no especismo”?

      Pois bem, a conduta ética, por sua própria assimetria, é uma afirmação de superioridade, uma vez que “mesmo que o mundo todo esteja agindo de determinada forma, eu escolho agir de outra”, ou melhor, independente da escolha ou da ação irrefletida do outro, a ação ética não se baseia senão nos princípios morais do próprio agente.

      No caso em questão, a autonomia humana é superior à heteronomia animal.

      Algum problema com isso?

      O assunto aqui é a crítica ao especismo. E mais uma vez fica evidente que ela é uma crítica que atira no próprio pé, ou na cabeça mesmo.

      Abraços.

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      1. Erik, o especismo é positivista, busca explicar comportamentos sociais através de determinações biológicas. Me coloco a favor de toda crítica ao especismo e ao positivismo científico. Não me apoio nisso para defender o veganismo.

        “Concorda que o veganismo critica aqueles que julgam ser o homem superior às outras espécies, a ponto de pretender tomar e realizar decisões que as envolvam?”

        Não. Não concordo que o homem seja superior. Mas entendo que seja DIFERENTE. O homem, ao contrário dos outros animais, ao produzir sua existência transforma-se. Ao homem cabe a escolha, não está determinado pelo ambiente que o cerca. Disso vc está careca de saber.

        Portanto o veganismo é uma escolha ética, fruto de um estágio autônomo (superior se vc preferir) da razão, acessível a qualquer ser humano.

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      2. Não sei se positivismo é sinônimo de reducionismo ao biológico. O fato é que não é isso que o veganismo leva em conta ao criticar o especismo.

        Eu não disse que VC se apóia nisso ou naquilo, mas sim que o veganismo se apóia na crítica ao especismo.

        Se vc reler o trecho que destacou da minha resposta, talvez perceba que vc não entendeu o que eu disse ao me responder.

        De resto, dizer que o homem é diferente não diz que diferença ele possui. Pois eu digo: é uma diferença de qualidade ontológica. É uma superioridade. E a ética é apenas uma das inúmeras evidências disto.

        Abraços.

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      3. Erik, percebi o trecho em que eu não entendi o que vc disse e respondi outra coisa no comentário anterior. Desconsidere. Vou tentar construir outro discurso e explicar melhor.

        O que nós somos biologicamente é fundamental porque sem essa existência biológica não tem relação social e a história dos homens começa a partir daí, na forma das relações sociais. Minha premissa é a de que nossa existência biológica é fundamental mas não é determinante, portanto esqueça essa história de especismo.

        Então o que é determinante? Precisamos sobreviver. Frente a necessidades e possibilidades materiais de sobrevivência, é preciso escolher necessidade mais necessária e a possibilidade mais possíveis. Como escolher? Antecipar na consciência os efeitos de cada escolha. <–essa escolha NESSE CASO está no campo da ética, sobre a qual falei em comentário anterior.

        Ao examinar os efeitos e objetivar sua escolha no mundo real, o sujeito passa a conhecer melhor a si mesmo. E na medida em que se tem uma consciência mais desenvolvida do que se é, passa-se a ter necessidades e possibilidades de desenvolvimento também do que se quer ser. "Gosto de ser assim, não gosto de ser de outro jeito". Portanto ao agir eu estou produzindo um novo indivíduo e uma nova sociedade, com necessidades e possibilidades que não existiam antes em cada um, passando a uma nova situação histórica.

        Nem sempre é uma situação histórica radicalmente nova. Mas é sempre suficiente pra tornar superados os atos anteriores.

        Alguém pode argumentar até com certa razão: "Mas o veganismo não vai fazer nem cócegas na produção industrial de carne". Mal comparando, eu responderia: No que resultaram as tentativas frustradas dos alquimistas em transformar tudo em ouro? No início da química.

        Abraço

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  2. O texto começa com a frase: O veganismo diz que comer carne é especismo. Pretendo demonstrar que o veganismo não é isso.

    A conduta ética pressupõe assimetria, ou seja, mesmo que o mundo todo esteja agindo de determinada forma eu escolho agir de outra. O contrário disso é ação/reação, lei de Talião, a anti-ética. A escolha ética é autônoma (auto: próprio; nomos: regras), um estágio superior ao da anomia (ausência de regras) e da heteronomia (seguir regras feitas por outros, como uma criança que não sabe que não pode comer as próprias fezes).

    O veganismo é então uma conduta ética por princípio e não positivista, que se apóia no especismo para se justificar. Visto dessa forma se afasta também do discurso ideológico do individualismo, para o qual se cada um fizer sua parte poderia-se resolver um problema maior.

    Ao criticar o individualismo (com o que me solidarizo) vc escolheu como pano de fundo o veganismo e deixou duas opções para justificar a escolha pelo veganismo: o próprio individualismo ou o moralismo cristão.

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  3. “defender direitos para os animais não é a prova que você se acha superior aos outros animais, pois os bichos carecem de um representante e defensor (que foi delegado por você mesmo), visto que animais não são capazes de outorgar tal autoridade?”
    Não, apenas se você considera o mesmo quando, defender direitos para os humanos te coloca num patamar superior aos humanos que você defende. Pela lógica, advogados seriam os seres mais superiores que existem e por tanto, há ai um brecha enorme para a criação de uma nova religião. Advogacismo.

    Sua lógica parece com “lugar de fala”. Nos poupe.

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    1. Vc é quem faz a analogia entre defender animais e homens, certamente por projetar seu anti-especismo em mim. Humanos defendidos por humanos não se tornam inferiores enquanto espécie, e mesmo se forem inferiores enquanto não capazes de defender a si próprios, são superiores enquanto clientes que pagam o pão do advogado. Se vc quiser uma consultoria em lógica, estamos à sua disposição.

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  4. Boa tarde!

    Vamos lá.

    “Os veganos criticam aqueles a quem chamam de especistas por estes julgarem ser o homem superior às outras espécies, a ponto de pretender tomar e realizar decisões que as envolvam, etc”. Penso que o problema aqui é você usar o conceito em uma de suas formulações menos qualificadas, proliferada sobretudo por discussões de internet. Nem sei se essa acepção é a mais usual, enfim. Por especismo tomamos, mais qualificadamente, que: o ser humano, por suas conta de suas características distintivas, como capacidade e uso de linguagem, uma noção sofisticadamente articulada de “eu” etc., pode dispensar o tratamento que quiser aos animais, sem o constrangimento moral relativo às características relevantes em questão (no geral, a capacidade de sofrer ou sentir prazer). Ou seja, dizemos que o especista apela a características distintivamente humanas, embora sejam, consideramos, irrelevantes à questão. O que é de nossa espécie é o que conta, apenas por ser de nossa espécie.

    É claro que nem todas as posturas contrárias ao veganismo incorrem em especismo, visto defenderem características, supõem, distintivas e relevantes.

    Em suma, a crítica ao especismo não finaliza a questão, porque seu alvo é um entrave que apenas impossibilita a discussão, além de a questão é toda nuançada (por exemplo, o contexto em que uma característica é relevante; ao ainda, mesmo que relevante, qual o grau de sua importância em vista a outras considerações).

    Dito isso, ainda que a postura que você desenhou seja exemplificada (um alvo fácil, sem dúvida), seria mais interessante saber o quanto ela é recorrente, e, também, se não haveriam — e digo que há — acepções filosoficamente mais interessantes e, por conseguinte, capazes de de implicações éticas mais sérias.

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